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À época das monarquias européia a escrófula,  morbus regius,  era literalmente reconhecida como a maldição do rei, e como tal só poderia ser curada por meio do le toucher royal ,  o toque do rei.

Existe um embate entre a origem dessa prática. Algumas literaturas acusam que foi Louis IX (1226-1270) que iniciou tal prática, outras relatam que foi em 1042, com o Rei Edward, the Confessor. Existem também referencias que dizem somente ter começado com a Rainha Elizabeth (1558-1603). Porém, todas indicam uma prática de imensa popularidade e culturalmente rica, sendo inclusive ilustrada por Shakespeare na sua brilhante obra teatral: Macbeth.

Como era feito a cerimônia e a sua importância?

De maneira majestosa e exuberante, os reis executavam o ritual nos pacientes com escrófula. Consistia em basicamente tocar ou bater na cabeça ou no pescoço do indivíduo. Contudo, evita-se o contato devido a já sabida disseminação. Para isso, sinais da cruz era usados ou simplesmente um aceno para que o mal ali fosse expurgado. Em cerimônias especiais, pequenas moedas e amuletos eram dados para os infortunados com a doença. A recompensa servia de consolo por receber o toque real. É importante lembrar que os pacientes eram examinados pelos médicos da majestade previamente antes de se submeterem ao ritual, afim de identificar aqueles que realmente a possuíam escrófula.

O rei Charles II(1660-1664; 1667-1682), durante 20 anos, chegou a tocar mais de 92000 pacientes com escrófula. Uma média de 4600 a cada ano. Doze por dia. Um a cada duas horas.

Qual era realmente era o poder do toque?

Muitas vezes o toque realmente “curava”. Ou melhor, aparentemente curava, como os diagnósticos eram feitos somente pela inspeção, poderia existir inúmeras doenças de pele as quais poderia imitar a lesão ganglionar da tuberculose e iriam regredir naturalmente com o tempo. Outro fator é que a escrófula é uma doença crônica que pode também regredir, como as lesões de pele. Assim, quando se curava da doença, todos os créditos iriam para os dons reais.

O que aconteceu com o toque do rei ?

Com o avanço da idade moderna e das ciências naturais e humanas, cresceu de maneira avassaladora o ceticismo em tais práticas. Protestantes e iluminitas, como Volteire abominavam tais práticas. A rainha Anne foi a última monarca inglesa a utilizar o toque real. A síndrome chamada escrófula desapareceu, dando lugar a hoje conhecida como tuberculose linfática cervical. O toque real perdeu seu sentido.

O que fica de legado dessa história medieval?

Entretanto, o aspecto psicológico e integrativo do toque real é o que mais chama atenção na história da escrófula. O fato de se sentir curada na medicina evoca no paciente medidas terapêuticas que nem ele sabe. A relação da fé, da crença, da esperança com a melhora do quadro clínico já é comprovada cientificamente, sendo inclusive como um dos pilares no acompanhamento de pacientes com doenças graves.

 

 

Sugestão de leitura:

Murray JF et AL. The King’s Evil and the Royal Touch: the medical history of scrofula. IJTLD 2016, 20(6): 713-6.

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